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O que é o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa

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O que é o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa é a obra de referência que fixa a grafia das palavras do português europeu e a sua classificação gramatical. Nesta página explicamos o que a base digital contém, quem a publica, como se lê cada registo e para que serve, no dia a dia, a quem escreve, traduz, ensina ou revê textos.

Uma obra de referência em versão digital

O Vocabulário nasceu do trabalho lexicográfico da Academia das Ciências de Lisboa e chegou à forma digital como base de dados consultável. A versão eletrónica reúne mais de 215 000 entradas, cada uma com a respetiva classificação gramatical e um conjunto de informações úteis a quem precisa de decidir uma grafia. A passagem do papel para a base de dados não alterou o critério: regista-se a forma escrita que a norma e o uso atestado sustentam, e não a variante mais frequente num determinado momento.

Consultar a base é diferente de consultar um dicionário de significados. O Vocabulário não explica o que as palavras querem dizer: fixa como se escrevem, que classe gramatical têm e, em muitos casos, que flexões admitem. É por isso a primeira paragem quando a dúvida é ortográfica e não semântica, e a razão pela qual a obra é citada em manuais escolares, em revisão editorial e em textos administrativos.

O que cada entrada traz

Cada registo começa pela forma escrita, seguida da classificação gramatical abreviada — substantivo, adjetivo, verbo, advérbio e assim por diante. Quando a mesma forma pode pertencer a mais de uma classe, o registo distingue-as, porque uma palavra pode ser substantivo e adjetivo sem deixar de se escrever do mesmo modo em todas as aceções.

A base acrescenta ainda indicações de flexão, formas irregulares e, quando existem, variantes admitidas. Nas entradas de nomes próprios e de topónimos, o registo fixa a grafia aportuguesada e o local onde a maiúscula inicial é devida, o que evita tanto a minúscula indevida como a maiúscula excessiva em nomes comuns derivados de nomes próprios.

Como a base se organiza

A consulta faz-se por palavra, escrevendo a forma no campo de pesquisa, ou por letra inicial, percorrendo o índice de A a Z. O índice por letra é útil quando a dúvida está no início da palavra ou quando se quer observar como se comporta uma família inteira de formas com o mesmo radical e os mesmos prefixos.

A ordenação segue a ordem alfabética do português europeu e tem em conta as letras acentuadas, que não são tratadas como equivalentes das letras sem acento. Também a cedilha e o til participam da ordem, o que raramente cria dificuldade, mas explica por que certas entradas parecem estar alguns lugares à frente do que a intuição sugere.

O que entra e o que fica de fora

Entram no Vocabulário as palavras e formas cujo uso escrito está atestado e cuja grafia pode ser fixada sem hesitação. Ficam de fora as invenções ocasionais, os erros de escrita repetidos por imitação e as formas regionais que não têm circulação escrita suficiente para justificar um registo próprio.

A inclusão de uma palavra nova é um ato descritivo e prudente: observa-se primeiro como a forma se escreve na imprensa, na literatura, nos textos técnicos e nos documentos oficiais e só depois se fixa a grafia. É esse critério que impede que o Vocabulário se transforme num catálogo de modas passageiras ou, no extremo oposto, num museu de formas que já ninguém usa.

O lugar do Acordo Ortográfico de 1990

A grafia registada segue o texto do Acordo Ortográfico de 1990, a sua nota explicativa e o aperfeiçoamento posterior, de 2015. Isto significa que o Vocabulário não é neutro quanto à norma: assume o Acordo como base ortográfica e aplica-o de forma sistemática, incluindo nos casos em que a tradição anterior escrevia de outro modo.

Para quem consulta, a consequência prática é simples. Se encontrar uma forma que não corresponde à que aprendeu na escola, vale a pena verificar se a diferença decorre do Acordo ou se é apenas uma variante que sempre existiu. A nota explicativa, disponível na área de Ortografia, resolve a maior parte destas dúvidas e explica o raciocínio seguido em cada caso.

Elemento do registoO que indicaComo se lê
Forma escritaA grafia registada da palavraÉ a resposta direta a uma dúvida ortográfica
Classificação gramaticalA classe da palavraAparece em abreviatura, logo após a forma
Indicação de flexãoPlural, feminino ou conjugaçãoSurge apenas nas entradas que a exigem
VarianteForma alternativa admitidaNem todas as entradas têm variante registada
Nota de usoComentário ou remissãoExplica restrições e envia para outra entrada

Como usar a base no dia a dia

Um método simples resolve quase todas as dúvidas. Pesquise a palavra como a escreveria, veja se o registo confirma a forma, leia a classificação gramatical e, se houver mais de uma grafia possível, siga a variante registada. Só depois de esgotar este passo vale a pena discutir preferências de estilo.

  • Confirme sempre a grafia no registo antes de a fixar num texto oficial.
  • Leia a classificação gramatical: a classe condiciona acordos e concordâncias.
  • Verifique a flexão, sobretudo em plurais e formas verbais irregulares.
  • Em nomes próprios e topónimos, siga a grafia aportuguesada registada.
  • Registe a fonte e a data da consulta quando o texto tiver de ser revisto mais tarde.

Conclusão

O Vocabulário não decide o que se pode dizer; decide como se escreve o que já se diz. Lido assim, é um instrumento de trabalho silencioso e fiável: reduz a hesitação, uniformiza textos coletivos e dá a quem escreve uma base comum para discutir opções de redação sem transformar cada dúvida numa questão de opinião. As páginas seguintes desta secção mostram como se consulta a base, que palavras novas entraram e como se comportam os estrangeirismos, a antroponímia e a toponímia.

Nota de referência. Esta é uma base descritiva da norma ortográfica: não substitui pareceres oficiais nem atos jurídicos. Numa dúvida de grafia, confirme sempre o registo na base de dados e, em contexto profissional, siga o manual de estilo da sua instituição.

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